A CRIANÇA E O LIVRO
RESUMO
OBRA DE LUIZ RAUL MACHADO E LAURA C. SANDRONI
BELO HORIZONTE, 3 DE DEZEMBRO DE 2004.
O livro mostra a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos são formados, pois é na infância que isso acontece. Apresenta também trabalhos realizados em salas de aula e bibliotecas, fala da necessidade de colocar as crianças em contato com a leitura e a escrita de maneira prazerosa, e ressalta que o caminho a ser seguido é o da exploração da literatura infantil.
O livro faz um paralelo entre dois hábitos fundamentais: o hábito alimentar e o hábito de leitura. A criança comerá o que a sua família ou grupo social come. Só a educação pode criar os bons hábitos, e este hábito se forma cedo. É muito difícil a formação do hábito de ler. É por este motivo que existe a literatura infantil que desenvolve não só a imaginação das crianças, mas facilita também a expressão de idéias.
A literatura infantil oportuniza situações nas quais as crianças possam interagir em seu processo de construção do conhecimento, possibilitando assim o seu desenvolvimento e aprendizagem. A capacidade de ler está intimamente ligada à motivação, pois a criança que lê com desenvoltura se interessa pela leitura e aprende mais facilmente, e a criança interessada em aprender se transformará num leitor capaz.
Os autores trazem algumas regras básicas para os pais incentivarem a leitura dos filhos como: uma visita a papelarias e livrarias que é importante na valorização dos livros, além de ser bom programa para pais e filhos. Como desde cedo a criança gosta de ouvir a história de sua vida a mais importante para ela, os pais podem aproveitar este momento também para incentivar o gosto pela leitura nos seus filhos. Histórias sobre fatos reais são importantes, porque ajudam a criança a entender sua origem e que tipo de relações existe entre ela, as pessoas e os lugares. Folhear álbuns de família é uma ótima dica.
As histórias lidas somam-se às inventadas, passando a fazer parte de um mundo onde a realidade e a imaginação se completam. Os livros aumentam muito o prazer de imaginar coisas. Toda história, contada ou lida, é uma experiência nova para a criança. As tradicionais, em versões simplificadas, são ótimas para começar, como também os livros sem texto ou aqueles que fazem uso da rima. As histórias que os pais contam e os livros que pais e filhos vêem juntos formam a base do interesse em aprender a ler e gostar de livros. É de suma importância que pais e professores batalhem pelo resgate do lúdico, do gosto pela expressão oral/ corporal, do gosto pela leitura, pelo desenvolvimento dos sentidos e sentimentos. As histórias inventadas também são importantes. A criança precisa saber de coisas que não fazem parte de sua experiência cotidiana. É comum ela ter um amigo imaginário ou atribuir qualidades humanas e sobrenaturais a um brinquedo ou a um animal.
O caminho para a leitura começa na infância, quando as crianças passam a gostar de palavras e de ouvir histórias, além de animarem-se ao contar momentos de sua vida para pessoas próximas. Pais muito ocupados correm o risco de ignorar as necessidades e as carências dos filhos. O mesmo problema acontece em famílias hipnotizadas por uma televisão, que não permite diálogo. Para despertar o amor e o interesse de uma criança por livros, é de suma importância que ela veja e sinta que o livro motiva diálogo, traz prazer e estimula a afetividade. A presença de livros e o hábito de leitura na família parecem ser condições ambientais favoráveis como se a leitura fosse transmitida por contágio.
É importante que o trabalho do professor seja planejado de acordo com as reais possibilidades da escola (se existe uma biblioteca escolar, se existe condição de formar coleções para usar na sala de aula, se há uma biblioteca pública perto da escola, etc). O professor deve selecionar muito bem as histórias que irá contar aos seus alunos e saber quais valores pretende desenvolver com as crianças através das idéias apresentadas nas histórias e que tipo de leitor se quer formar. O professor deve sensibilizar o aluno de forma a fazê-lo acreditar que o livro é o caminho para encontrar prazer, descobertas, lições de vida e que pode utilizá-lo para desenvolver a capacidade de pensar e crescer.
O gosto pela leitura tem relação direta com o universo verbal da criança. O contato com o adulto enriquece o conteúdo verbal, ao contrário do que acontece com as crianças que só convivem com outras de sua idade. O livro poderá suprir a ausência desta troca. As crianças deveriam freqüentar a biblioteca desde cedo pois a biblioteca facilita a livre escolha da criança e promove contato agradável com os livros.
O professor deve transformar sua sala de aula em um ambiente estimulante e prazeroso, utilizando-se das mais variadas situações para que a criança possa manifestar livremente a compreensão e os questionamentos que faz a partir da leitura de textos literários. Compreender um texto é uma tarefa um tanto quanto significativa pois leva o indivíduo a conhecer a si e aos outros, preparando-se para sua formação humana.
A obra sugere atividades práticas que podem ser realizadas dentro da biblioteca pública ou escolar como: apresentação da biblioteca, propaganda da biblioteca e dos livros despertando assim o interesse dos alunos, palestras, presença de autores lendo algumas histórias e dando entrevistas, hora do conto, exposição de livros, discussões e debates sobre os livros, concursos promovidos pela biblioteca e atividades criativas em sala de aula a partir dos livros lidos.
Os livros podem e devem ser oferecidos a todas as crianças para observação e manuseio, utilizado, lido, consultado, pesquisado que vai contribuir como fator fundamental para o gosto da leitura. No processo de elaboração da linguagem, antes mesmo que se exprima por meio de palavras, a criança é sensível às imagens, por isso a imagem tem um papel primordial. A ilustração por ser uma linguagem internacional, pode ser compreendida por qualquer povo. A imagem confere ao livro além de um valor estético, o apoio, a pausa e a oportunidade de devaneio. A criança pequena, em contato com livros de imagens simples, de fácil leitura visual, ao ouvir histórias contadas pelo adulto nomeia objetos de conhecimento cotidiano e vai consolidando a linguagem. Quanto mais imagens de real valor artístico e quanto menos texto tiver os livros, mais cedo a criança compreenderá a linguagem e a mensagem dos mesmos. A ilustração pode relacionar-se com o texto sem precisar explicá-lo e permitem às crianças interpretações que sejam exclusivas delas.
O autor narra uma experiência numa biblioteca infantil, onde crianças e professores encontravam-se uma vez por semana para ouvir histórias e fazer música. O professor lê a história em voz alta, colocando nesta leitura entonações próprias de cada trecho. A medida que a história se desenrola, vão surgindo motivos para a construção de pequenos jogos rítmicos em que entram o corpo, com movimentos, gestos, ou a palavra, ou a voz. É através de situações como estas que o aluno irá perceber-se como um sujeito atuante, que sente liberdade, prazer e gosto pela leitura e com certeza sentir-se também valorizado por participar desse processo. É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes como: a tristeza, a raiva, a irritação,o medo, a alegria e tantas outras mais e viver profundamente isso tudo que as narrativas provocam. Ler histórias para as crianças é estimular para desenhar, para música, para o teatro, para brincar, pois tudo isso pode nascer de um texto.
Outra parte do relato é sobre uma síntese de um trabalho realizado por três professoras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Faculdade de Educação. É um projeto que tem como núcleo a proposta de criação dos Clubes de Leitura como “método” a ser utilizado pelo professor para conquistar novos leitores. Um tipo de atividade programada e realizada pelo professor em horários predeterminados e regulares, tendo como objetivo despertar a criança para a leitura, vista como uma atividade lúdica e livre. Na realização das atividades, o livro deve ser apresentado e vivido pelo aluno sem nenhuma espécie de imposição, mas como fonte de prazer, de estímulo à curiosidade e de interesse pelo mundo. Mostra também a idéia da Feira de Livros que pode ser uma atividade realizada em praça pública e organizada por associações de bairro, entidades e outros envolvendo a comunidade e ampliando a divulgação através das rádios e jornais locais.
O desenvolvimento de interesses e hábitos de leitura se faz num processo constante que se inicia com a família, reforça-se na escola e continua ao longo da existência do indivíduo, através das influências recebidas da atmosfera cultural de que ele participa.
Outra experiência em andamento é a salinha da leitura que realiza-se com o apoio de uma loja de brinquedos e material pedagógico. A participação é livre e gratuita: as crianças chegam e saem a qualquer momento, não há matrículas ou inscrições e propicia a criança a descoberta do prazer da leitura. A faixa etária de maior freqüência é a dos 9-10 anos. O atendimento e registro da experiência são feitos por duas professoras que observam todas as atividades. O material utilizado resume-se a livros, papel e lápis, lousa e giz. Os livros foram dispostos nas prateleiras sem qualquer classificação, procurando-se apenas colocar mais abaixo os que seriam de interesse para as crianças menores. O procedimento básico é o da liberdade de escolha, não só de leitura como de outras atividades. O propósito é deixar as crianças descobrirem os livros sem interferência do adulto.
O livro permite fazer uma reflexão sobre como a leitura é importante em nossa vida, pois ela faz com que possamos aprender, ensinar, evoluir. Aguça a percepção do importante papel da literatura infantil. Fica marcada a grande importância em fazer com que a criança sinta prazer e pegue gosto pela leitura. O objetivo da literatura infantil é o de formar leitores, pois por uma série de características e fatores ela desempenha esse papel melhor do que a literatura adulta, pois e sem dúvida muito mais atraente e convidativa.
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